Overdriving

Pearl Jam no topo da Billboard com “Backspacer”

Fiquei surpreso ao ler que o Pearl Jam está de volta ao topo da Billboard após 13 anos. A surpresa não tem qualquer relação com as vendas de “Backspacer”, novo disco do quinteto de Seattle. O choque é entender como um dos maiores ícones do movimento grunge conseguiu ficar tanto tempo fora do seu lugar de origem, tendo lançado grandes discos em sua carreira.

“Backspacer” é um disco inspiradíssimo de Eddie Vedder e companhia, que alternam com perfeição músicas agressivas com baladas virtuosas, além de uma minuciosa escolha na ordem das canções. As letras – todas compostas por Vedder  - mostram uma fase mais alegre e positiva do grupo, em comparação com as rimas políticas de “Binactural” e “Pearl Jam”. Em entrevistas recentes, Vedder afirmou que retirou o otimismo da eleição do presidente Barack Obama, e que sempre quis escrever palavras de esperança. Vale lembrar que, quando passou pelo Rio de Janeiro, o cantor disse que “na próxima vez em que voltasse, o mundo seria um lugar melhor porque George W. Bush não seria mais presidente”.

O disco começa com força total em canções que mostram as verdadeiras raízes grunge do grupo, como “Gonna See My Friend”, “Got Some” – faixa mais politizada, que pergunta: “Você já ouviu falar de uma solução diplomática?” – e “The Fixer”. Em “Johnny Guitar”, começa uma seleção de músicas mais pop, seguida por “Just Breathe”, “Amongst the Waves” – que carrega a mensagem de esperança do disco quando diz que “Eu posso sentir que tenho uma alma que foi salva” – e “Unthougth Unknown”.

Em “Supersonic”, Vedder fala sobre sua paixão pela música: “Eu preciso escutar isso, viver isso ao máximo”. “Speed of Sound” traz um personagem introspectivo, que reflete sobre os acontecimentos de sua vida e seus sentimentos. Já  ”Force of Nature”, a melhor do disco, combina tudo o que de melhor há no Pearl Jam: uma letra inteligente (“é tão errado achar que o amor nos manterá a salvo?”), um vocal preciso de Vedder complementado por criativos riffs de guitarra e trocas de ambientação da música. “The End” fecha o disco brilhantemente, perguntando ao ouvinte onde estão os sonhos e como viver sem abandoná-los.

“Force of Nature”, melhor música de “Backspacer”, mais um grande disco do Pearl Jam.

Outubro 25, 2009 Publicado por Leandro Lannes | Rocking | , , , | Sem comentários ainda

Trivium recusa convite para tocar no Ozzfest

Enquanto não encontro o tempo pra escutar com a devida atenção os novos discos de Pearl Jam e Alice in Chains, que certamente renderão os próximos posts desse blog, parei para ler o (excelente) Whiplash – sempre com muita informação legal sobre o mundo do rock – e uma notícia me chamou a atenção. Paul Gregoletto, baixista do Trivium, concedeu entrevista recente, na qual afirmou, quando perguntado sobre o Ozzfest: “Não queremos tocar nessa merda!”. A (des)organização do festival não gostou quando a banda entrou vestindo camisas do Iron Maiden e estendeu bandeiras da banda inglesa em seus amplificadores.

Para quem não se lembra da história, foi aquele caso em que Sharon Osbourne – aquela figura que fez história no heavy metal por…bem, nada – mandou jogarem ovos durante uma apresentação da Donzela de Ferro. E o Trivium – que já tinha me conquistado pelo excelente “Shogun” – mostrou personalidade e decidiu homenagear seus ídolos. A organização do festival queria um pedido de desculpas do quarteto americano, que se negou a prestar qualquer tipo de satisfação e recusaram o convite para participar novamente.

Enquanto isso, o Ozzfest é esvaziado de bandas influentes no cenário heavy metal, e começa a perder espaço para o Mayhen Festival. Sharon Osbourne continua sendo lembrada por…(ah, já escrevi, é verdade) nada. E Ozzy está mais preocupado em rever as reprises de seu antigo reality show em que não conseguia nem trocar um canal de televisão. Bruce Dickinson vai bem, obrigado, pilotando aviões e saindo em turnê pelo mundo inteiro com a mesma disposição de30 anos atrás.

Para ilustrar, “Like Light to The Flies”, ainda sem Paul Gregoletto no baixo.

Setembro 25, 2009 Publicado por Leandro Lannes | 666 | , , | Sem comentários ainda

Smashing Pumpkins está de volta. E o Overdriving também!

Depois de quase três meses de ausência, devido aos compromissos profissionais e acadêmicos, consigo finalmente reativar o blog hoje. Com a pós-graduação terminada, posso voltar a me dedicar a escrever sobre o que vejo de mais legal no mundo da música.

Aliás, não somente o blog está de volta. Billy Corgan e sua trupe (sempre meio indefinida devido aos constantes desentendimentos entre os membros) também anunciaram seu novo trabalho. “Teargarden by Kaleidyscope”, novo disco dos Smashing Pumpinks, começou a ser gravado nessa semana. O álbum terá 44 músicas, e será totalmente disponibilizado na internet para download gratuito.

Em seu blog, o vocalista afirmou que “cada música será absolutamente gratuita, para qualquer um em qualquer lugar (…) você não vai ter que se inscrever para qualquer coisa, dar o seu e-mail, ou saltar através de um aro. Você poderá pegar a música que quiser na hora que quiser”, disse.

Nunca dá para saber muito bem como será um trabalho do Smashing Pumpkins. A qualidade, originalidade e criatividade de Corgan, no entanto, estão sempre presentes, independente de seus companheiros de banda – hoje completada pelo baterista Mike Byrne.

Segundo o próprio vocalista, “Teargarden by Kaleidyscope” promete ser o mais psicodélico da discografia do grupo, que, aliás, não lança nada de novo desde 2000. Ou seja, fãs saudosos dos tempos de “Mellon Collie and the Infinite Sadness” e “Adore” – como eu – já estão ansiosos para escutar o que o grupo está preparando.

Enquanto isso, para matar a saudade, uma das minhas favoritas: “Disarm”, do excelente “Siamese Dream”, de 1993.

Setembro 18, 2009 Publicado por Leandro Lannes | Recomendados, Rocking | , , , | Sem comentários ainda

Green Day decepciona com “21th Century Breakdown”

Sinceramente, ainda não entendi o motivo da grande polvorosa em que se encontra a maior parte da imprensa especializada com relação a “21th Century Breakdown”, novo disco do Green Day. Depois de cinco anos sem gravar, o trio mais importante da história do pop-punk americano mostra um disco que, na melhor das avaliações, não supera a classificação regular. Li críticos da Rolling Stone dizendo que o novo álbum é “mais ambicioso que American Idiot (2004)”. A MTV comparou o disco a “The Who”, uma das maiores obras-primas do rock de todos os tempos. Realmente não entendo.

Depois de escutar o álbum mais de cinco vezes, em dias e momentos diferentes, continuo achando que Billie Joel (guitarra e voz), Mike Dirnt (baixo) e Tré Cool (bateria) já foram bem mais criativos. Para quem se acostumou a ouvir o Green Day nos tempos de “Dookie” (1994), “Insomniac” (1995) e “Nimrod” (1997), “21th Century Breakdown” não impressiona. Claro que o disco tem algumas músicas boas, como a faixa-título, “Before The Lobotomy”, “Christian’s Inferno”, “East Jesus Nowhere” e “See The Light”.

Exceto as canções mencionadas, o novo trabalho tenta mostrar, de maneira forçada, um lado mais politizado do grupo. Músicas como “21 Guns”, “Peacemaker”, “Know Your Enemy” e “Murder City” são péssimas. E ainda ficam piores quando ouvidas perto dos falsetes – na boa, onde existe espaço para falsete no punk rock! – de “Last Night on Earth” e “Restless Heart Syndrome”.

O punk rock do Green Day já foi muito melhor, criativo e agressivo do que o apresentado em “21th Century Breakdown”. Aliás, o grupo vem numa trajetória descendente clara depois de “Nimrod” – que foi seguido pelo bom “Warning” (200) e um extremamente superestimado “American Idiot” (2004).

Clipe de “21th Century Breakdown”, o que há de melhor no fraco novo disco do Green Day.

Junho 15, 2009 Publicado por Leandro Lannes | Anarquistas, Falta de Categoria | , , , | Sem comentários ainda

Incubus lança sua primeira coletânea

Com quase 15 anos de estrada, o Incubus lança, no próximo dia 15, “Monuments and Melodies”, CD duplo com os maiores sucessos de sua carreira. O novo álbum do quinteto californiano – ainda pouco conhecido por aqui – é dividido em dois momentos: o primeiro traz 13 singles “Make Yourself”, “Morning View”, “A Crow Left of the Murder…”, and “Light Grenades”, ao lado de duas inéditas: “Black Heart Inertia” and “Midnight Swim”. No segundo disco estão raridades, lados B de singles, versões alternativas, além de três músicas novas e uma cover de Prince, “Let’s Go Crazy”.

Para quem nunca ouviu, uma boa chance de conhecer músicas como “A Certain Shade of Green”, “Drive”, “Megalomaniac” e “Pardon Me”, entre as minhas favoritas. Para os fãs, um bom aperitivo enquanto o novo trabalho de inéditas de Brandon Boyd (voz), Mike Einziger (guitarra), Chris Kilmore (teclados e samples) Ben Kenney (baixo) e Jose Pasillas (bateria) ainda não sai.

Clipe de “Drive”, em versão acústica.

Junho 12, 2009 Publicado por Leandro Lannes | Mundo Pop, Recomendados, Rocking | , , , | Sem comentários ainda

“Black Clouds and Silver Linings”: uma obra-prima do Dream Theater

O mundo do rock fica apreensivo todas as vezes em que o Dream Theater começa a trabalhar em um novo disco. Donos absolutos do posto de mais importante banda do metal progressivo, o quinteto americano se consagrou em 20 anos de carreira por lançar trabalhos de absoluta criatividade e originalidade. O grupo produziu verdadeiras obras de arte como “Scenes From a Memory”, “Images and Words” e “Octavarium”. E “Black Clouds and Silver Linings”, disco que chega às lojas em 23 de junho, é sem dúvida o seu melhor trabalho.

“Black Clouds and Silver Linings” é perfeito do início ao fim, sem um único momento fraco. Suas seis músicas – sendo quatro com mais de dez minutos – trazem o Dream Theater em sua melhor forma. James LaBrie desistiu dos falsetes que tanto incomodavam, e passou a usar sua verdadeira voz, alternando agressividade e leveza. Mark Portnoy (bateria), John Petrucci (guitarra), Jordan Rudess (tecladas) e John Myung (baixo) trabalharam em melodias pesadas e criativas, solos bem colocados – sem aquelas demonstrações de habilidade sem sentido muito comuns no “Train of Thougth” (2003) – e letras inteligentes.

Primeira música do disco, “A Nightmare to Remember” mostra o Dream Theater em sua melhor fase. Em quase 15 minutos, a banda mistura em uma única faixa diversos ambientes, do mais agressivo riff até o mais melodioso solo, acompanhados por uma letra de Petrucci. O álbum segue para as duas canções mais comerciais do trabalho: “A Rite os Passage” – que já foi comentada aqui no blog – e “Wither”. A primeira, escolhida corretamente como música de trabalho do disco novo, mostra toda a bagagem musical do grupo.

“The Shattered Fortress” dialoga com três clássicos do quinteto: “The Glass Prison”, “The Root of All Evil” e “This Dying Soul”, todas de discos diferentes. Já “The Best of Times” mostra a maturidade de Portnoy, em letra em que homenageia seu pai, que morreu pouco tempo depois de ter ouvido a música, vítima de um câncer. O disco termina com “The Count of Toscany”, a mais progressiva do novo trabalho, com clara a influência da sonoridade inconfundível do Pink Floyd.

Melhor do que ler, é ouvir “Black Clouds and Silver Linings”. Como o único clipe produzido até agora foi o de “A Rite of Passage” – já mostrado por aqui -, fiquem com “A Nightmare to Remember”. A música está dividida em dois vídeos, devido a seus 14 minutos.

Junho 9, 2009 Publicado por Leandro Lannes | 666, Progressivos, Recomendados | , , , , , | 1 Comentário

Novo disco de Eminem lidera as paradas americanas

Há cinco anos sem lançar um disco de músicas inéditas, Eminem volta ao seu lugar de costume: a primeira posição no ranking da Billboard. “Relapse”, novo álbum do rapper americano, vendeu mais de 600 mil cópias somente na primeira semana em que chegou às lojas.

O topo das paradas só não foi dominado pelo controverso compositor em seu primeiro CD, “The Slim Shady LP”, de 1999. Desde seu segundo trabalho, “The Marshall Matter LP”, de 2000, Eminem conquistou o primeiro lugar em todas as vezes em que lançou discos novos.

“Relapse” é o álbum mais agressivo e pessoal da discografia do rapper. A crítica internacional chega ao ponto de considerá-lo tão bom quanto “The Eminem Show”, de 2002, tido por muitos – e também por esse blog – como seu o melhor trabalho.  ”The Eminem Show” é mais musical que “Relapse”. As melodias que acompanham os agressivos versos do cantor são mais criativas e ambientam melhor suas palavras. 

Entendo, no entanto, a posição daqueles que elevam os dois discos à mesma altura. A verborragia do rapper começa em tom extremamente irado, com “3 am”, “Beautiful” e “My Mom” – em que mais uma vez grita contra sua mãe, uma de suas maiores vítimas. Logo elas se misturam com o sendo de humor sarcástico de “Bagpipes from Baghdad”, “Crack a Bottle” e “Medicine Ball”. Algumas outras composições fracas, como “Must be The Granja” e “Old Time’s Sake”, em que perde muito tempo falando sobre drogas de maneira bastante superficial.

“Relapse” é um ótimo disco, merece ser ouvido do início ao fim. Não é um álbum muito fácil de ser escutado por ouvidos menos acostumados com a agressividade de Marshall Matters. Os fãs – como eu – devem estar impressionados como as férias fizeram bem ao rapper, que traz um trabalho de excelente qualidade.

Clipe de “3am”, primeira música de “Relapse”.

Maio 31, 2009 Publicado por Leandro Lannes | Recomendados, Rhytm and Poetry | , , , | Sem comentários ainda