Green Day decepciona com “21th Century Breakdown”
Sinceramente, ainda não entendi o motivo da grande polvorosa em que se encontra a maior parte da imprensa especializada com relação a “21th Century Breakdown”, novo disco do Green Day. Depois de cinco anos sem gravar, o trio mais importante da história do pop-punk americano mostra um disco que, na melhor das avaliações, não supera a classificação regular. Li críticos da Rolling Stone dizendo que o novo álbum é “mais ambicioso que American Idiot (2004)”. A MTV comparou o disco a “The Who”, uma das maiores obras-primas do rock de todos os tempos. Realmente não entendo.
Depois de escutar o álbum mais de cinco vezes, em dias e momentos diferentes, continuo achando que Billie Joel (guitarra e voz), Mike Dirnt (baixo) e Tré Cool (bateria) já foram bem mais criativos. Para quem se acostumou a ouvir o Green Day nos tempos de “Dookie” (1994), “Insomniac” (1995) e “Nimrod” (1997), “21th Century Breakdown” não impressiona. Claro que o disco tem algumas músicas boas, como a faixa-título, “Before The Lobotomy”, “Christian’s Inferno”, “East Jesus Nowhere” e “See The Light”.
Exceto as canções mencionadas, o novo trabalho tenta mostrar, de maneira forçada, um lado mais politizado do grupo. Músicas como “21 Guns”, “Peacemaker”, “Know Your Enemy” e “Murder City” são péssimas. E ainda ficam piores quando ouvidas perto dos falsetes – na boa, onde existe espaço para falsete no punk rock! – de “Last Night on Earth” e “Restless Heart Syndrome”.
O punk rock do Green Day já foi muito melhor, criativo e agressivo do que o apresentado em “21th Century Breakdown”. Aliás, o grupo vem numa trajetória descendente clara depois de “Nimrod” – que foi seguido pelo bom “Warning” (200) e um extremamente superestimado “American Idiot” (2004).
Clipe de “21th Century Breakdown”, o que há de melhor no fraco novo disco do Green Day.
Incubus lança sua primeira coletânea
Com quase 15 anos de estrada, o Incubus lança, no próximo dia 15, “Monuments and Melodies”, CD duplo com os maiores sucessos de sua carreira. O novo álbum do quinteto californiano – ainda pouco conhecido por aqui – é dividido em dois momentos: o primeiro traz 13 singles “Make Yourself”, “Morning View”, “A Crow Left of the Murder…”, and “Light Grenades”, ao lado de duas inéditas: “Black Heart Inertia” and “Midnight Swim”. No segundo disco estão raridades, lados B de singles, versões alternativas, além de três músicas novas e uma cover de Prince, “Let’s Go Crazy”.
Para quem nunca ouviu, uma boa chance de conhecer músicas como “A Certain Shade of Green”, “Drive”, “Megalomaniac” e “Pardon Me”, entre as minhas favoritas. Para os fãs, um bom aperitivo enquanto o novo trabalho de inéditas de Brandon Boyd (voz), Mike Einziger (guitarra), Chris Kilmore (teclados e samples) Ben Kenney (baixo) e Jose Pasillas (bateria) ainda não sai.
Clipe de “Drive”, em versão acústica.
“Black Clouds and Silver Linings”: uma obra-prima do Dream Theater
O mundo do rock fica apreensivo todas as vezes em que o Dream Theater começa a trabalhar em um novo disco. Donos absolutos do posto de mais importante banda do metal progressivo, o quinteto americano se consagrou em 20 anos de carreira por lançar trabalhos de absoluta criatividade e originalidade. O grupo produziu verdadeiras obras de arte como “Scenes From a Memory”, “Images and Words” e “Octavarium”. E “Black Clouds and Silver Linings”, disco que chega às lojas em 23 de junho, é sem dúvida o seu melhor trabalho.
“Black Clouds and Silver Linings” é perfeito do início ao fim, sem um único momento fraco. Suas seis músicas – sendo quatro com mais de dez minutos – trazem o Dream Theater em sua melhor forma. James LaBrie desistiu dos falsetes que tanto incomodavam, e passou a usar sua verdadeira voz, alternando agressividade e leveza. Mark Portnoy (bateria), John Petrucci (guitarra), Jordan Rudess (tecladas) e John Myung (baixo) trabalharam em melodias pesadas e criativas, solos bem colocados – sem aquelas demonstrações de habilidade sem sentido muito comuns no “Train of Thougth” (2003) – e letras inteligentes.
Primeira música do disco, “A Nightmare to Remember” mostra o Dream Theater em sua melhor fase. Em quase 15 minutos, a banda mistura em uma única faixa diversos ambientes, do mais agressivo riff até o mais melodioso solo, acompanhados por uma letra de Petrucci. O álbum segue para as duas canções mais comerciais do trabalho: “A Rite os Passage” – que já foi comentada aqui no blog – e “Wither”. A primeira, escolhida corretamente como música de trabalho do disco novo, mostra toda a bagagem musical do grupo.
“The Shattered Fortress” dialoga com três clássicos do quinteto: “The Glass Prison”, “The Root of All Evil” e “This Dying Soul”, todas de discos diferentes. Já “The Best of Times” mostra a maturidade de Portnoy, em letra em que homenageia seu pai, que morreu pouco tempo depois de ter ouvido a música, vítima de um câncer. O disco termina com “The Count of Toscany”, a mais progressiva do novo trabalho, com clara a influência da sonoridade inconfundível do Pink Floyd.
Melhor do que ler, é ouvir “Black Clouds and Silver Linings”. Como o único clipe produzido até agora foi o de “A Rite of Passage” – já mostrado por aqui -, fiquem com “A Nightmare to Remember”. A música está dividida em dois vídeos, devido a seus 14 minutos.
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