“My Life II…”: a beleza do tradicionalismo de Mary J. Blige
Um artista se destaca em meio a um mar de novos produtos da indústria quando consegue escapar dos estereótipos do seu gênero favorito com originalidade e, ao mesmo tempo, imprimir uma marca registrada disco após disco. É exatamente por isso que Mary J. Blige ostenta o título de Rainha do Hip-Hop Soul. Em My Life II… The Journey Continues (Act 1) a cantora mostra uma incrível variedade de nuances do mesmo estilo, foge dos clichês agressivos e/ou pornográficos e traz um disco, em sua maioria, sólido e criativo.
Dona de uma voz marcante e profunda, ela foge das vocalizações excessivas, frequentes em outras artistas do gênero. O álbum traz letras que prezam pela genuinidade e expõe o peito da compositora, que assina quase todas as rimas do trabalho, exceto por Ain’t Nobody - regravação do single de uma dama do funk americano, Chaka Khan - Mr. Wrong e Need Someone.
Entre baladas que flertam com o romantismo, músicas de andamento dançante e participações especiais que, em sua maioria, engrandecem o trabalho, Mary J. caminha com suavidade por um terreno que conhece muito bem. My Life II… é uma clara evolução da artista, capaz de agradar seus antigos fãs e conquistar novos. É a prova de que a rainha continua merecendo sua coroa.
25/8, um dos destaques de My Life II… The Journey Continues (Act 1), novo disco de Mary J. Blige.
“Here and Now”: Nickelback mostra o peso de suas guitarras
Rótulos são características facilmente credenciadas ao trabalho de qualquer artista. Fugir dessas classificações, nem sempre desejadas ou até verídicas, é tarefa bastante complicada. O Nickelback é uma das bandas que mais sofre com esse preconceito, por ser vista como um grupo que se veste como um “cordeiro em pele de lobo”. Ou seja: quer ser uma banda de rock, mas se esconde atrás de baladas.
Pois bem. Boa parte dessa crença é verdadeira. Durante muito tempo o quarteto liderado por Chad Kroeger lançou mão de guitarras leves e privilegiou as melodias mais melosas. Mais conhecido por canções como How You Remind Me, Photograph e Someday – para citar singles de CDs diferentes – o grupo se arrisca, em Here and Now, em incursões mais agressivas. E tem sucesso na maioria.
A escolha de Bottoms Up, This Means War e When We Stand Together como músicas de trabalho deixam claro a vontade do grupo de mudar sua imagem. As distorções de guitarra são mais pesadas, as letras abandonam o tom melancólico que infestou Dark Horse, disco anterior do grupo, e Kroeger arrisca linhas vocais mais agressivas e com maior alcance. Claro que as baladas não foram esquecidas, como na ótima Lullaby, mas, talvez pela primeira vez na história da banda, elas foram rebaixadas ao nível de coadjuvantes.
O fundamental em Here and Now é perceber que a banda entra em uma outra fase, tanto musical quanto de maturidade de seus integrantes. Determinados a entender porque são alvo de preconceitos, tanto do público quanto da indústria, eles entram com um pé na porta e muitas guitarras nas mãos.
We Stand Together, primeiro single de Here and Now, novo trabalho do Nickelback.
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