“Lulu”: a experimentação sem sentido de Lou Reed e Metallica
Todo artista de notoriedade assume um grande risco quando se presta a caminhar pela estrada da experimentação. Os que passam incólumes por essa travessia sobem ao patamar de gênios. Os engolidos pelo asfalto são obrigados a mostrar a retomar a carreira em um trabalho posterior. Metallica e Lou Reed, infelizmente, se encaixam no segundo exemplo. Lulu, fruto da recente parceria dos metaleiros com o rockeiro americano, é um trabalho completamente perdido, sem inspiração e que tenta se valer de um pseudo-intelectualismo que não funciona.
O disco reúne 1h30 de músicas que parecem intermináveis, em tentativas de poesias afogadas em letras metódicas e instrumentações repetitivas. Apoiado numa suposta psicodelia alternativa incapaz de emocionar, Lulu nada mais é do que uma série de devaneios setentistas de Lou Reed. Sua musicalidade é nula. Não há, em nenhum momento, uma proposta audaciosa. Suas experimentações são descabidas e sua sonoridade se parece como uma banda hippie dos anos 60 desvairada em uma viagem ácida que não acabou bem.
Para piorar, em entrevistas recentes, o quarteto americano ainda foi capaz de afirmar que a poesia de Lou Reed não é para qualquer um, apenas para intelectuais. É como assistir a uma palestra de Julio Bressane chamando o público de idiota por não ter gostado de seu filme. O Metallica deveria ter mais cuidado ao falar dos seus fãs, que continuam acompanhando a banda mesmo com apenas um bom disco nos últimos 15 anos. Em vez de chamá-los de idiotas, deveria se preocupar em produzir boas músicas, e não o que aparece em Lulu.
The View, primeira música de trabalho de Lulu, resultado da péssima parceria entre Metallica e Lou Reed.
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