Overdriving

“Staind”: banda perde ao apostar em disco cru e pesado

Donos de uma das mais originais sonoridades do rock alternativo, capaz de alternar baladas românticas com andamentos metaleiros, o Staind conseguiu, nos últimos anos, emplacar sucessos consecutivos e conquistar espaço como uma das principais bandas do gênero. Mesmo ainda pouco conhecido no Brasil, Staind, último CD do quarteto liderado por Aaron Lewis, lançado no fim de 2011, foi figurinha fácil na lista de lançamentos favoritos de músicos e personalidades do ano passado. No disco homônimo à banda, o grupo aumenta a distorção de suas guitarras e vocais, deixa para trás os refrões de fácil lembrança e aposta na agressividade.

Jogar as fichas em um estilo mais cru e pesado foi uma escolha ousada. Boa parte do sucesso do grupo desde o genial Break The Cycle – que deu início a série de três álbuns no primeiro lugar nas paradas americanas, seguido por 14 Shades of Grey e Chapter V – vem justamente da habilidade em mesclar leveza e peso. O estilo funciona em algumas músicas, mas, em resumo, Staind é um disco muito mais barulhento do que precisaria ser. Lewis abusa desnecessariamente de tons rasgados quase guturais em boa parte de suas linhas vocais, e, exceto por Something to Remind You, em que mostra sua versatilidade como cantor, o disco é tão homogêneo que, em certo ponto, chega a ser difícil reconhecer uma troca de música.

Nem tudo está perdido, claro. Mesmo com problemas no percurso, o grupo consegue mostrar porque conquistou lugar de destaque nas listas de melhores do ano. The Bottom traz uma instrumentação interessante; Failing alterna bem seus versos introspectivos com um refrão potente; Now traz um riff criativo aliado a uma melodia de automática identificação e Throw it All Away lembra os tempos áureos dos discos anteriores. É pouco para uma banda que acostumou os fãs com hits consecutivos.

Not Again, primeiro single de Staind, álbum autointitulado do quarteto alternativo americano.

janeiro 9, 2012 Publicado por | Alternativo, Recomendados | , , , , , | Deixe um comentário

“Evanescence”: Amy Lee grava definitivamente seu nome na história do rock

Cinco anos se passaram desde o lançamento de The Open Door, segundo disco do Evanescence. Em teoria, seria o trabalho responsável por comprovar que o grupo liderado por Amy Lee não seria apenas mais um one hit wonder, depois do genial Fallen (2003). Com algumas boas faixas, mas de complexidade e qualidade discutíveis, deu a impressão de que a banda nunca igualaria o trabalho de estreia. Em Evanescence, no entanto, o quinteto americano não deixa brechas para a desconfiança.

Lançado em outubro de 2011, logo após a bela passagem da banda pelo Rock in Rio, Evanescence é um disco que beira a perfeição dentro de seu próprio estilo. Mesmo sem o brilhantismo de Fallen, seus quase 50 minutos de música são absolutamente viciantes. Com riffs criativos, suas guitarras são mais pesadas e complexas, e seus teclados alternam entre pitadas góticas e eletrônicas que mostram uma clara evolução musical. A voz de Amy Lee, cada mais desafiada entre alternâncias bruscas de dramaticidade e peso entre compassos acelerados e acompanhamentos de piano, responde com perfeição à missão.

O que mais impressiona em Evanescence é a constante mutação do som da banda dentro de um único disco. O álbum começa com um ritmo quase dançante em What You Want, rapidamente muda para a áspera Made of Stone. Daí segue para o andamento clássico de My Heart is Broken, canções suaves de voz e piano como Lost in Paradise ou para a psicodelia de End of a Dream. Para quem tinha alguma ressalva sobre o trabalho da banda, Evanescence é incontestável, potente, pesado e simplesmente irresistível. Um dos melhores lançamentos de 2011, que credita o grupo ao posto de gigantes do rock pesado.

What you Want, primeiro single de Evanescence, autointitulado álbum do quinteto americano.

janeiro 3, 2012 Publicado por | 666, Recomendados, Rocking | , , , , , | Deixe um comentário

“The Hunter”: Mastodon esquece as raízes progressivas e aposta no comercial

Uma banda não deve se tornar um esqueleto engessado em suas próprias fórmulas de composição. Mudanças em seu estilo e em suas influências são bem-vindas quando mostram uma evolução, seja em suas harmonias, letras ou na postura de seus membros. Infelizmente, nenhum desses quesitos justifica a revolução sonora de The Hunter, novo disco do Mastodon. Em vez da psicodelia conceitual dos trabalhos anteriores, que misturavam flertes com a música clássica e devaneios progressivos interessantes, o disco traz um grupo de música simplista e mais preocupado com sua posição nas paradas mundiais do que com a excelência artística.

Tudo em The Hunter é comercial. A escolha de Mike Elizondo – famoso por trabalhos com 50 Cent, Maroon 5 e Alanis Morissette – para produzir o álbum é a principal comprovação de que a banda busca mais espaço nas rádios. Nenhuma música ultrapassa os seis minutos de duração, o que, para um disco de heavy metal, é praticamente inadmissível, e mais ainda pelo fato do grupo estar acostumado a se aventurar em canções com até 22 minutos. As ambientações são raras, os vocais mais rasgados e as guitarras estão mais ocupadas fazendo barulho do que contribuindo com virtuosismo. A comparação com o chamado Black Album, do Metallica, que vem sendo feita por muitos críticos, é perfeita: a banda abandona o passado buscando espaço na MTV.

Claro que nem tudo está perdido, e mesmo esbarrando nas barreiras comerciais, o grupo consegue alguns momentos interessantes. Stargasm traz um refrão suave e cheio de nuances brilhantes. Melhor faixa do álbum, The Hunter é delineada por um solo incrível e uma levada psicodélica criativa e hipnotizante, e Bedazzled Fingernails mescla com perfeição agressividade dos vocais com um riff de guitarra original e suingado. Mesmo assim, nada que justifique o frenesi mundial com o lançamento.

Black Tongue, primeiro single de The Hunter, novo e superestimado disco do Mastodon.

janeiro 2, 2012 Publicado por | 666, Rocking | , , | Deixe um comentário

   

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