O único lado ruim de escutar grandes bandas como Symphony X e Masterplan é saber que, eventualmente, elas acabam impedindo Russell Allen e Jorn Lande, seus vocalistas, respectivamente, de se dedicarem mais a seus projetos pararelos. The Showdown, terceiro disco da parceria que une duas das mais belas vozes do heavy metal, é sensacional do início ao fim. Suas 12 faixas misturam, com perfeição, técnica e sentimento, canções agressivas e baladas, e letras emocionantes.
Mesmo com estilos semelhantes, já que ambos cantam abusando dos drives, Lande e Allen tem vozes muito reconhecíveis e que se completam. Quem já os ouviu separadamente não tem nenhuma dúvida ao adivinhar quem está cantando, mesmo quando eles se revezam durante uma canção. Compostas pelo guitarrista Magnus Karlsson, as faixas usam influências do metal progressivo – terreno em que os vocalistas dominam com maestria – em canções que se aproximam do hard rock e power metal. É melhor do que The Revenge (2007), mas ainda fica abaixo do primeiro trabalho da dupla, The Battle (2005).
Fica difícil destacar as melhores músicas quando se escuta um trabalho tão sólido e consistente. A escolha de Judgement Day como primeiro single não me parece acertada, principalmente porque Lande canta sozinho nela. The Showdown, Turn All Into Gold, Copernicus e We Will Rise Again entram como as minhas favoritas desse disco que, sem qualquer dúvida, foi um dos melhores lançamentos de 2010.
Clipe de Judgement Day na voz de Jorn Lande, primeiro single de The Showdown.
Ouvir Pain of Salvation nunca é missão fácil. É preciso, antes de tudo, ter a cabeça aberta para mergulhar no complexo ambiente musical criado pelo quinteto sueco, e escutar cada música diversas vezes para conseguir entender a viagem que está por trás dela. Depois de superar todas essas barreiras aflora toda a genialidade de Daniel Gildenlöw em “Road Salt One”, lançado mundialmente pelo grupo entre maio e junho.
O Pain of Salvation produz tantas ideias brilhantes que, ao longo do disco, surge a impressão de estarmos ouvindo quatro ou cinco bandas completamente diferentes. “Road Salt One” começa com “No Way”, um rock de estética sessentista, “She Likes do Hide”, um blues agressivo da mesma época.
Tudo muda quando “Sisters”, música genial que sintetiza com perfeição a progressividade do grupo. Em tom intimista, Gildenlöw mostra toda a versatilidade de sua voz, misturando suavidade e agressividade, acompanhado por uns instrumental sombrio e cheio de nuances. “Of Dust” segue uma linha parecida, com a inclusão de um coral que transforma a música num quase oratório.
“Tell me You Don’t Know” volta ao Blues tipicamente americano, trazendo uma batida mais dançante, e guitarras mais presentes. Em mais uma guinada, o disco traz uma…valsa. “Sleeping Under The Stars” obedece o mais básico compasso da composição vienense, mas com uma letra e voz demoníacas. A progressividade retorna com “Darkness of Mine”, a única faixa que não empolgou tanto.
Entram em cena os dois rocks mais pesados do disco, “Linoleum” e “Curiosity”, que se aproximam do grunge e do hard rock, com guitarras bem distorcidas e riffs agressivos. Já “Where It Hurts” lembra a sonoridade progressiva dos gênios desse estilo, o Pink Floyd, em canção bastante psicodélica. O clima é mantido em “Road Salt”, uma obra-prima do grupo. Em apenas três minutos, Gildenlow interpreta de maneira emocionada uma letra extremamente tocante e pessoal, que constrata drasticamente com o instrumental composto para violino e xilofone. O álbum termina com “Innocence”, que retorna ao hard rock / grunge das faixas anteriores.
“Road Salt”, ao vivo, na Suécia. Música genial do novo disco do Pain of Salvation.
Prestes a embarcar em turnê por Estados Unidos e Canadá, em junho e julho, o Iron Maiden revelou oficialmente o nome de seu novo álbum. “The Final Frontier”, 15º disco de estúdio do sexteto britânico chega às lojas no início do segundo semestre de 2010. Por enquanto, não foi divulgado nada sobre o novo trabalho da maior banda de heavy metal de todos os tempos.
Na “The Final Frontier Tour” o grupo deve mostrar algumas das músicas do próximo álbum, segundo depoimento de Bruce Dickinson ao site oficial da banda. O cantor diz que a banda ainda está trabalhando no set list, mas que a ideia é escolher canções que de diversas épocas da história do Iron Maiden.
O Dream Theater, que se apresenta no Brasil em março com a turnê de “Black Clouds and Silver Linings” – seu último (e excelente) disco – vai abrir os 22 shows da digressão. Encontro imperdível de dois gigantes do metal mundial. Para quem já está nervoso – como eu – para saber os detalhes sobre o novo disco do Iron Maiden, fica um aperitivo com o cartaz da turnê.
O mundo do rock fica apreensivo todas as vezes em que o Dream Theater começa a trabalhar em um novo disco. Donos absolutos do posto de mais importante banda do metal progressivo, o quinteto americano se consagrou em 20 anos de carreira por lançar trabalhos de absoluta criatividade e originalidade. O grupo produziu verdadeiras obras de arte como “Scenes From a Memory”, “Images and Words” e “Octavarium”. E “Black Clouds and Silver Linings”, disco que chega às lojas em 23 de junho, é sem dúvida o seu melhor trabalho.
“Black Clouds and Silver Linings” é perfeito do início ao fim, sem um único momento fraco. Suas seis músicas – sendo quatro com mais de dez minutos – trazem o Dream Theater em sua melhor forma. James LaBrie desistiu dos falsetes que tanto incomodavam, e passou a usar sua verdadeira voz, alternando agressividade e leveza. Mark Portnoy (bateria), John Petrucci (guitarra), Jordan Rudess (tecladas) e John Myung (baixo) trabalharam em melodias pesadas e criativas, solos bem colocados – sem aquelas demonstrações de habilidade sem sentido muito comuns no “Train of Thougth” (2003) – e letras inteligentes.
Primeira música do disco, “A Nightmare to Remember” mostra o Dream Theater em sua melhor fase. Em quase 15 minutos, a banda mistura em uma única faixa diversos ambientes, do mais agressivo riff até o mais melodioso solo, acompanhados por uma letra de Petrucci. O álbum segue para as duas canções mais comerciais do trabalho: “A Rite os Passage” – que já foi comentada aqui no blog – e “Wither”. A primeira, escolhida corretamente como música de trabalho do disco novo, mostra toda a bagagem musical do grupo.
“The Shattered Fortress” dialoga com três clássicos do quinteto: “The Glass Prison”, “The Root of All Evil” e “This Dying Soul”, todas de discos diferentes. Já “The Best of Times” mostra a maturidade de Portnoy, em letra em que homenageia seu pai, que morreu pouco tempo depois de ter ouvido a música, vítima de um câncer. O disco termina com “The Count of Toscany”, a mais progressiva do novo trabalho, com clara a influência da sonoridade inconfundível do Pink Floyd.
Melhor do que ler, é ouvir “Black Clouds and Silver Linings”. Como o único clipe produzido até agora foi o de “A Rite of Passage” – já mostrado por aqui -, fiquem com “A Nightmare to Remember”. A música está dividida em dois vídeos, devido a seus 14 minutos.
O clipe do primeiro single de “Black Clouds and Silver Linings”, novo disco do Dream Theater, finalmente foi divulgado pela Roadrunner. “A Rite of Passage” chega em versão editada no vídeo; a música original tem cerca de três minutos a mais, em que os solos do guitarrista Mark Portnoy e do tecladista Jordan Rudess se alternam.
Muitos comentários nos sites de rock tratam o novo disco como algo completamente diferente do que o Dream Theater fez em seu último álbum, “Systematic Chaos”, de 2007. Analisando apenas pela música de trabalho, “A Rite of Passage” se parece bastante com “Constant Motion”, escolhida para divulgar o trabalho anterior.
Prefiro esperar pelo disco inteiro, que chega às lojas no dia 23 de junho, para tecer qualquer comentário. No entanto, “A Rite of Passage” deixa qualquer fã do quinteto americano empolgado. Impressionante como a voz de James Labrie melhora a cada disco.
Clipe de “A Rite of Passage”, nova música do Dream Theater.
Seguindo o clima das efemérides aqui no blog, acredito que nunca é tarde para lembrar que em março completaram-se 35 anos do lançamento de “Rush”, primeiro disco do trio homônimo canadense. O texto deveria ter sido escrito antes, mas achei que seria melhor revisitar a discografia do trio formado por Geddy Lee (baixo e voz), Alex Lifeson (guitarras) e Neil Peart (bateria) antes de tecer qualquer comentário sobre a banda. Passei as três últimas semanas escutando tudo que os caras fizeram em ordem cronológica, experiência que recomendo a todos. Ouvir na ordem em que foram escritos mostram claramente a evolução da banda, e as diferentes influências que foram se misturando no meio do caminho.
Não sou fã dos três primeiros discos – “Rush” (1974), “Fly By Night” (1975) e “Caress of Steel” (1975), exceto por algumas boas faixas, como, cada uma de um álbum, respectivamente, “Working Man”, “Fly By Night” e “Bastille Day”. Nesses trabalhos, a banda faz um rock com bastante influência do jazz e hard rock, com vocais mais agudos e guitarras mais distorcidas.
De três discos fracos, surgiu “2112″ (1976), – leia twenty-one twelve – um dos mais importantes de todos os tempos. Com um estilo extremamente progressivo, o disco traz a música título – uma obra-prima de 21 minutos – “Passage to Bangkok” e “Twilight Zone”, que não podem faltar na coleção de um roqueiro que se preze. Na cola do épico veio “A Farewell to Kings” (1977), que trouxe os clássicos “Xanadu” e “Closer to the Heart”. A década de 70 terminou com dois discos sem muita expressão na opinião deste blogueiro: “Hemisferes” (1978) e “Permanent Waves” (este último chegou às lojas no dia 1º de janeiro de 80, então na verdade é da década anterior).
Os anos 80 começam com força total e uma novidade: a progressividade alcançada nos discos anteriores vem somada a sintetizadores. “Moving Pictures” (1981) traz as duas músicas mais populares do Rush: “Tom Sawyer” e “YYZ”. Os discos seguintes, “Signals” (1982), “Grace Under Pressure” (1984), “Power Windows” (1985) e “Hold Your Fire” (1987) não trazem grandes destaques individuais, mas mostram um conjunto extremamente coeso, com um som cada vez mais maduro e instrumentalmente impecável.
Antes de começar a década de 90, o Rush lança “Presto” (1989). Sensacional, o álbum marca uma mudança na sonoridade do trio canadense, que deixa a progressividade de lado e dá espaço para as levadas mais pop e dançantes. Na sequência surge “Roll The Bones” (1991), o melhor da carreira dos caras. Clássicos como “Dreamline”, “Roll The Bones”, “The Big Wheel”, “Ghost of a Chance” e “Neurotica” (essa última é uma daquelas músicas que entram na cabeça e você vai cantar ela pelo resto da semana).
De lá para cá, apenas para não me estender mais ainda no post, o Rush passou a investir mais na sonoridade pop e em letras mais politizadas, talvez por ser uma banda já mais madura do que era quando surgiu. Destaque para “Test for Echo” (1996), que traz “Totem” e “Half the World”, ambas excelentes.
Claro que aqui ficaram faltando tantos outros clássicos que merecem entrar em qualquer texto sobre o Rush. Como sempre, para não perder o costume, fica um vídeo para conferir uma das minhas favoritas: “Dreamline”.
O post anterior começa dizendo que Mark Portnoy não é um cara bobo. O baterista do Dream Theater é frequentemente perguntado sobre o que está rolando de melhor na cena heavy metal no mundo inteiro. Além de Death Magnetic, que já ganhou seu espaço nesse blog, Portnoy fez uma lista com os dez melhores discos do gênero lançados em 2008. No site oficial da banda, o baterista postou, sem ordem específica, seus favoritos. O blog decidiu então pedir passagem para tecer comentários nem um pouco humildes com relação aos discos selecionados por Portnoy.
1. Metallica – “Death Magnetic”
Um trabalho tão bom que mereceu um post inteiro. Não precisa de mais.
2. Protest The Hero – “Fortress”
Não achei “Fortress” um disco sensacional, mas admito que o Protest The Hero é uma banda ousada, que tenta misturar influências claras de bandas de rock progressivo com death e trash metal. Um bom disco, de uma banda que ainda pode progredir bastante se continuar rumando o caminho da originalidade.
3. The Mars Volta – “The Bedlam In Goliath”
Disco de altos e baixos. Começa devagar, mas depois parece que a banda engrena e simplesmente dá certo. Melhor que o tempo que os rapazes faziam parte da “At The Drive-In”. A voz de Cedric Bixler-Zavala irrita um pouco nos agudos, mas nas linhas médias ele se mostra um bom vocalista, e o grupo tem um som criativo.
4. Beardfish – “Sleeping In Traffic Part 2”
Ouvir esse disco foi quase tão divertido quando uma vasectomia. Poucas vezes imaginei que se pudesse escolher entre qualquer banda de metal e o Mc Leozinho, eu escolheria o funkeiro. Bandas progressivas tem que progredir para algum lugar, e esse disco de prog. fica simplesmente parado. Não sei como eles convenceram Portnoy a ouví-los, mas fazer milhares de barulhinhos com um sintetizador não transformam um grupo em progressivo.
5. Slipknot – “All Hope Is Gone”
Normalmente não gosto das bandas do movimento new metal dos Estados Unidos, principalmente do Slipknot. Acho os discos anteriores dos rapazes de Des Moines repetitivos e pouco criativos, mas “All Hope Is Gone” surpreende até o mais resistente dos metaleiros. Não a tôa, esse é o primeiro disco da banda que atinge o topo das paradas. Sid Wilson e seus companheiros mascarados trazem ótimas composições como “‘Til We Die”, “Vermillion Part 2″ e “Where in Lies Continue”.
6. Opeth – “Watershed”
“Watershed” é um grande trabalho do Opeth. Um grupo que, diferentemente do Beardfish, consegue fazer com que a música realmente progrida, em vez de se preocupar em escrever canções com 35 minutos e barulhinhos engraçados em um sintetizados. Destaque para “Porcelain Heart” e “Hessian Peel”.
7. Bloodbath – “Unblessing The Purity” / “The Fathomless Mastery”
Trash Metal é aquela mesma coisa de sempre, desculpem-me. É sempre um cara abusando dos vocais guturais, baterias com pedais duplos estourados e guitarras afinadas no tom mais grave possível. Não vejo muita graça.
8. Frost – “Experiments In Mass Appeal”
Nunca tinha ouvido falar do Frost antes de ler o post de Portnoy. E acho que foi a melhor surpresa que tive nos últimos tempos se tratando de bandas novas no cenário. A banda se intitula neoprogressiva, e realmente traz elementos novos. Jem Godfrey é extramamente afinado, as linhas de guitarra de John Mitchell são criativas, e a banda mostra uma sintonia e criatividade impressionantes. Um disco sensacional.
9. Trivium – “Shogun”
O Trivium consegue fazer com muita qualidade o que o Protest The Hero ainda não conseguiu. A mistura entre trash e progressivo gera um disco absolutamente sensacional, em que tudo é novo. Ouvir “Shogun” chega a criar um choque de realidade, porque não existe nada no momento tão original. Carrega ainda um pouco do new metal americano, mas que não chega a incomodar tanto, porque é bem feito. As letras são inteligentes, as linhas melódicas, e os vocais de Matt Heafy alternam perfeitamente entre o agudo e o gutural. Ótima pedida.
10. Steven Wilson – “Insurgentes”
Mais insosso impossível. Um disco nem um pouco inspirado, músicas de cabaré, tudo que já se ouviu um milhão de vezes, e mal interpretado.
Para ilustrar, “Down From The Sky”, single de “Shogun”, novo disco do Trivium.
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