“Black Clouds and Silver Linings”: uma obra-prima do Dream Theater
O mundo do rock fica apreensivo todas as vezes em que o Dream Theater começa a trabalhar em um novo disco. Donos absolutos do posto de mais importante banda do metal progressivo, o quinteto americano se consagrou em 20 anos de carreira por lançar trabalhos de absoluta criatividade e originalidade. O grupo produziu verdadeiras obras de arte como “Scenes From a Memory”, “Images and Words” e “Octavarium”. E “Black Clouds and Silver Linings”, disco que chega às lojas em 23 de junho, é sem dúvida o seu melhor trabalho.
“Black Clouds and Silver Linings” é perfeito do início ao fim, sem um único momento fraco. Suas seis músicas – sendo quatro com mais de dez minutos – trazem o Dream Theater em sua melhor forma. James LaBrie desistiu dos falsetes que tanto incomodavam, e passou a usar sua verdadeira voz, alternando agressividade e leveza. Mark Portnoy (bateria), John Petrucci (guitarra), Jordan Rudess (tecladas) e John Myung (baixo) trabalharam em melodias pesadas e criativas, solos bem colocados – sem aquelas demonstrações de habilidade sem sentido muito comuns no “Train of Thougth” (2003) – e letras inteligentes.
Primeira música do disco, “A Nightmare to Remember” mostra o Dream Theater em sua melhor fase. Em quase 15 minutos, a banda mistura em uma única faixa diversos ambientes, do mais agressivo riff até o mais melodioso solo, acompanhados por uma letra de Petrucci. O álbum segue para as duas canções mais comerciais do trabalho: “A Rite os Passage” – que já foi comentada aqui no blog – e “Wither”. A primeira, escolhida corretamente como música de trabalho do disco novo, mostra toda a bagagem musical do grupo.
“The Shattered Fortress” dialoga com três clássicos do quinteto: “The Glass Prison”, “The Root of All Evil” e “This Dying Soul”, todas de discos diferentes. Já “The Best of Times” mostra a maturidade de Portnoy, em letra em que homenageia seu pai, que morreu pouco tempo depois de ter ouvido a música, vítima de um câncer. O disco termina com “The Count of Toscany”, a mais progressiva do novo trabalho, com clara a influência da sonoridade inconfundível do Pink Floyd.
Melhor do que ler, é ouvir “Black Clouds and Silver Linings”. Como o único clipe produzido até agora foi o de “A Rite of Passage” – já mostrado por aqui -, fiquem com “A Nightmare to Remember”. A música está dividida em dois vídeos, devido a seus 14 minutos.
Trinta e cinco anos de “Rush”

Seguindo o clima das efemérides aqui no blog, acredito que nunca é tarde para lembrar que em março completaram-se 35 anos do lançamento de “Rush”, primeiro disco do trio homônimo canadense. O texto deveria ter sido escrito antes, mas achei que seria melhor revisitar a discografia do trio formado por Geddy Lee (baixo e voz), Alex Lifeson (guitarras) e Neil Peart (bateria) antes de tecer qualquer comentário sobre a banda. Passei as três últimas semanas escutando tudo que os caras fizeram em ordem cronológica, experiência que recomendo a todos. Ouvir na ordem em que foram escritos mostram claramente a evolução da banda, e as diferentes influências que foram se misturando no meio do caminho.
Não sou fã dos três primeiros discos – “Rush” (1974), “Fly By Night” (1975) e “Caress of Steel” (1975), exceto por algumas boas faixas, como, cada uma de um álbum, respectivamente, “Working Man”, “Fly By Night” e “Bastille Day”. Nesses trabalhos, a banda faz um rock com bastante influência do jazz e hard rock, com vocais mais agudos e guitarras mais distorcidas.
De três discos fracos, surgiu “2112″ (1976), – leia twenty-one twelve – um dos mais importantes de todos os tempos. Com um estilo extremamente progressivo, o disco traz a música título – uma obra-prima de 21 minutos – “Passage to Bangkok” e “Twilight Zone”, que não podem faltar na coleção de um roqueiro que se preze. Na cola do épico veio “A Farewell to Kings” (1977), que trouxe os clássicos “Xanadu” e “Closer to the Heart”. A década de 70 terminou com dois discos sem muita expressão na opinião deste blogueiro: “Hemisferes” (1978) e “Permanent Waves” (este último chegou às lojas no dia 1º de janeiro de 80, então na verdade é da década anterior).
Os anos 80 começam com força total e uma novidade: a progressividade alcançada nos discos anteriores vem somada a sintetizadores. “Moving Pictures” (1981) traz as duas músicas mais populares do Rush: “Tom Sawyer” e “YYZ”. Os discos seguintes, “Signals” (1982), “Grace Under Pressure” (1984), “Power Windows” (1985) e “Hold Your Fire” (1987) não trazem grandes destaques individuais, mas mostram um conjunto extremamente coeso, com um som cada vez mais maduro e instrumentalmente impecável.
Antes de começar a década de 90, o Rush lança “Presto” (1989). Sensacional, o álbum marca uma mudança na sonoridade do trio canadense, que deixa a progressividade de lado e dá espaço para as levadas mais pop e dançantes. Na sequência surge “Roll The Bones” (1991), o melhor da carreira dos caras. Clássicos como “Dreamline”, “Roll The Bones”, “The Big Wheel”, “Ghost of a Chance” e “Neurotica” (essa última é uma daquelas músicas que entram na cabeça e você vai cantar ela pelo resto da semana).
De lá para cá, apenas para não me estender mais ainda no post, o Rush passou a investir mais na sonoridade pop e em letras mais politizadas, talvez por ser uma banda já mais madura do que era quando surgiu. Destaque para “Test for Echo” (1996), que traz “Totem” e “Half the World”, ambas excelentes.
Claro que aqui ficaram faltando tantos outros clássicos que merecem entrar em qualquer texto sobre o Rush. Como sempre, para não perder o costume, fica um vídeo para conferir uma das minhas favoritas: “Dreamline”.
Coisas do destino
Por (falta de) sorte do destino, o post abaixo dedica-se ao Pink Floyd.
Hoje, os jornais do mundo estampam que Richard Wright, tecladista do Pink Floyd, morreu, aos 65 anos, vítima de câncer.
O vocalista e guitarrista do grupo, David Gilmour, a quem me referi no post anterior, escreveu nota em seu blog, lamentando a morte do ex-companheiro de banda: “Eu realmente não sei o que dizer além de que ele era um homem amável, gentil e genuíno e que fará uma falta terrível a tantos que o amavam. E são muitas pessoas. Não era ele quem ganhava as maiores salvas de palmas ao final de cada show em 2006?”
Fica registrado, acima de tudo, o meu obrigado a Richard Wright, por todo seu trabalho na música e pela inspiração dada a tantas pessoas.
Clipe de “Us and Them”, uma das maiores obras-primas do rock progressivo.
David Gilmour nega reunião do Pink Floyd
O guitarrista e vocalista David Gilmour descartou, em entrevista ao site Ultimate Guitar qualquer possibilidade de uma reunião do Pink Floyd. Gilmour afirmou “que está se divertindo muito sozinho”.
As esperanças para uma reunião da banda inglesa, pioneira no rock progressivo, surgiram em 2005, quando Gilmour e Roger Water, antigos desafetos, tocaram lado a lado nos palcos londrinos, no evento de caridade Live 8. “O show foi excelente, mas os ensaios me convenceram de que não era uma coisa que eu gostaria de fazer muito.
O próximo disco de Gilmour, “David Gilmour Live In Gdansk,” chega às lojas no dia 23 de setembro.
É uma pena. Ver o Pink Floyd reunido é o sonho de basicamente qualquer roqueiro verdadeiro. O Pink Floyd foi o ponto inicial de inspiração para bandas como Marillion, Genesis, Dream Theater e tantas outras. Ver Waters e Gilmour juntos novamente no palco, acompanhados por Richard Wright e Nick Mason, seria fantástico.
Gilmour não tem, na minha opinião, uma carreira solo incontestável. Lançou bons trabalhos, mas nada que se compare com a inspiração com que escreveu músicas de discos como “The Dark Side of The Moon” e ”Animals”, obras-primas de sua época no Floyd.
Vamos aguardar o lançamento de seu novo disco para conferir se, aos 62 anos, Gilmour ainda consegue, através de seus melodiosos solos, emocionar seu público.
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