Overdriving

Alice in Chains: da escuridão para a esperança

O novo – e tão esperado – disco do Alice in Chains diz tudo logo no título. “Black Gives Way To Blue” é o fim da escuridão que começou com a morte do ex-vocalista Layne Staley, e de 14 anos sem material novo para os fãs. Com William DuVall nos vocais, o grupo traz um trabalho consistente, digno de um grupo que lançou grandes CDs como “Facelift”, “Dirt” e “Alice in Chains”.

“All Secrets Known” abre o disco em coerência com o nome do álbum, dizendo que é “…um novo começo, tempo de começar a viver”. “Check My Brain” traz um clássico riff de guitarra no melhor estilo grunge, assim como “Last of My Kind” e “Looking in a View”, primeiro single lançado.

“Your Decision” e “When The Sun Rose Again” fazem o contraponto com as faixas mais pesadas, trazendo linhas melódicas mais suaves em instrumentos acústicos. Muito bem produzidas, as músicas mostram a versatilidade de DuVall em cantar faixas menos agressivas. DuVall também faz um ótimo trabalho em “Lesson Learned” e “Take Her Out”.

Depois de algumas faixas com menos destaque, como “Private Hell” e “Acid Bubble”, o grupo fecha como um merecido tributo a Staley, com a música que dá nome ao álbum. Além de belo riff de guitarra de Jerry Cantrell, a letra presta uma bela homenagem a Staley, voz do grupo durante os anos 90. A lembrança mostra que, apesar da nova fase, a banda não se esqueceu de onde veio. Nem os fãs.

Vídeo de “Check My Brain”, uma das melhores de “Black Gives Way to Blue”, novo disco do Alice in Chains.

Dezembro 22, 2009 Publicado por Leandro Lannes | Recomendados, Rocking | , , , | Sem comentários ainda

Smashing Pumpkins está de volta. E o Overdriving também!

Depois de quase três meses de ausência, devido aos compromissos profissionais e acadêmicos, consigo finalmente reativar o blog hoje. Com a pós-graduação terminada, posso voltar a me dedicar a escrever sobre o que vejo de mais legal no mundo da música.

Aliás, não somente o blog está de volta. Billy Corgan e sua trupe (sempre meio indefinida devido aos constantes desentendimentos entre os membros) também anunciaram seu novo trabalho. “Teargarden by Kaleidyscope”, novo disco dos Smashing Pumpinks, começou a ser gravado nessa semana. O álbum terá 44 músicas, e será totalmente disponibilizado na internet para download gratuito.

Em seu blog, o vocalista afirmou que “cada música será absolutamente gratuita, para qualquer um em qualquer lugar (…) você não vai ter que se inscrever para qualquer coisa, dar o seu e-mail, ou saltar através de um aro. Você poderá pegar a música que quiser na hora que quiser”, disse.

Nunca dá para saber muito bem como será um trabalho do Smashing Pumpkins. A qualidade, originalidade e criatividade de Corgan, no entanto, estão sempre presentes, independente de seus companheiros de banda – hoje completada pelo baterista Mike Byrne.

Segundo o próprio vocalista, “Teargarden by Kaleidyscope” promete ser o mais psicodélico da discografia do grupo, que, aliás, não lança nada de novo desde 2000. Ou seja, fãs saudosos dos tempos de “Mellon Collie and the Infinite Sadness” e “Adore” – como eu – já estão ansiosos para escutar o que o grupo está preparando.

Enquanto isso, para matar a saudade, uma das minhas favoritas: “Disarm”, do excelente “Siamese Dream”, de 1993.

Setembro 18, 2009 Publicado por Leandro Lannes | Recomendados, Rocking | , , , | Sem comentários ainda

Incubus lança sua primeira coletânea

Com quase 15 anos de estrada, o Incubus lança, no próximo dia 15, “Monuments and Melodies”, CD duplo com os maiores sucessos de sua carreira. O novo álbum do quinteto californiano – ainda pouco conhecido por aqui – é dividido em dois momentos: o primeiro traz 13 singles “Make Yourself”, “Morning View”, “A Crow Left of the Murder…”, and “Light Grenades”, ao lado de duas inéditas: “Black Heart Inertia” and “Midnight Swim”. No segundo disco estão raridades, lados B de singles, versões alternativas, além de três músicas novas e uma cover de Prince, “Let’s Go Crazy”.

Para quem nunca ouviu, uma boa chance de conhecer músicas como “A Certain Shade of Green”, “Drive”, “Megalomaniac” e “Pardon Me”, entre as minhas favoritas. Para os fãs, um bom aperitivo enquanto o novo trabalho de inéditas de Brandon Boyd (voz), Mike Einziger (guitarra), Chris Kilmore (teclados e samples) Ben Kenney (baixo) e Jose Pasillas (bateria) ainda não sai.

Clipe de “Drive”, em versão acústica.

Junho 12, 2009 Publicado por Leandro Lannes | Mundo Pop, Recomendados, Rocking | , , , | Sem comentários ainda

“Black Clouds and Silver Linings”: uma obra-prima do Dream Theater

O mundo do rock fica apreensivo todas as vezes em que o Dream Theater começa a trabalhar em um novo disco. Donos absolutos do posto de mais importante banda do metal progressivo, o quinteto americano se consagrou em 20 anos de carreira por lançar trabalhos de absoluta criatividade e originalidade. O grupo produziu verdadeiras obras de arte como “Scenes From a Memory”, “Images and Words” e “Octavarium”. E “Black Clouds and Silver Linings”, disco que chega às lojas em 23 de junho, é sem dúvida o seu melhor trabalho.

“Black Clouds and Silver Linings” é perfeito do início ao fim, sem um único momento fraco. Suas seis músicas – sendo quatro com mais de dez minutos – trazem o Dream Theater em sua melhor forma. James LaBrie desistiu dos falsetes que tanto incomodavam, e passou a usar sua verdadeira voz, alternando agressividade e leveza. Mark Portnoy (bateria), John Petrucci (guitarra), Jordan Rudess (tecladas) e John Myung (baixo) trabalharam em melodias pesadas e criativas, solos bem colocados – sem aquelas demonstrações de habilidade sem sentido muito comuns no “Train of Thougth” (2003) – e letras inteligentes.

Primeira música do disco, “A Nightmare to Remember” mostra o Dream Theater em sua melhor fase. Em quase 15 minutos, a banda mistura em uma única faixa diversos ambientes, do mais agressivo riff até o mais melodioso solo, acompanhados por uma letra de Petrucci. O álbum segue para as duas canções mais comerciais do trabalho: “A Rite os Passage” – que já foi comentada aqui no blog – e “Wither”. A primeira, escolhida corretamente como música de trabalho do disco novo, mostra toda a bagagem musical do grupo.

“The Shattered Fortress” dialoga com três clássicos do quinteto: “The Glass Prison”, “The Root of All Evil” e “This Dying Soul”, todas de discos diferentes. Já “The Best of Times” mostra a maturidade de Portnoy, em letra em que homenageia seu pai, que morreu pouco tempo depois de ter ouvido a música, vítima de um câncer. O disco termina com “The Count of Toscany”, a mais progressiva do novo trabalho, com clara a influência da sonoridade inconfundível do Pink Floyd.

Melhor do que ler, é ouvir “Black Clouds and Silver Linings”. Como o único clipe produzido até agora foi o de “A Rite of Passage” – já mostrado por aqui -, fiquem com “A Nightmare to Remember”. A música está dividida em dois vídeos, devido a seus 14 minutos.

Junho 9, 2009 Publicado por Leandro Lannes | 666, Progressivos, Recomendados | , , , , , | 1 Comentário

Novo disco de Eminem lidera as paradas americanas

Há cinco anos sem lançar um disco de músicas inéditas, Eminem volta ao seu lugar de costume: a primeira posição no ranking da Billboard. “Relapse”, novo álbum do rapper americano, vendeu mais de 600 mil cópias somente na primeira semana em que chegou às lojas.

O topo das paradas só não foi dominado pelo controverso compositor em seu primeiro CD, “The Slim Shady LP”, de 1999. Desde seu segundo trabalho, “The Marshall Matter LP”, de 2000, Eminem conquistou o primeiro lugar em todas as vezes em que lançou discos novos.

“Relapse” é o álbum mais agressivo e pessoal da discografia do rapper. A crítica internacional chega ao ponto de considerá-lo tão bom quanto “The Eminem Show”, de 2002, tido por muitos – e também por esse blog – como seu o melhor trabalho.  ”The Eminem Show” é mais musical que “Relapse”. As melodias que acompanham os agressivos versos do cantor são mais criativas e ambientam melhor suas palavras. 

Entendo, no entanto, a posição daqueles que elevam os dois discos à mesma altura. A verborragia do rapper começa em tom extremamente irado, com “3 am”, “Beautiful” e “My Mom” – em que mais uma vez grita contra sua mãe, uma de suas maiores vítimas. Logo elas se misturam com o sendo de humor sarcástico de “Bagpipes from Baghdad”, “Crack a Bottle” e “Medicine Ball”. Algumas outras composições fracas, como “Must be The Granja” e “Old Time’s Sake”, em que perde muito tempo falando sobre drogas de maneira bastante superficial.

“Relapse” é um ótimo disco, merece ser ouvido do início ao fim. Não é um álbum muito fácil de ser escutado por ouvidos menos acostumados com a agressividade de Marshall Matters. Os fãs – como eu – devem estar impressionados como as férias fizeram bem ao rapper, que traz um trabalho de excelente qualidade.

Clipe de “3am”, primeira música de “Relapse”.

Maio 31, 2009 Publicado por Leandro Lannes | Recomendados, Rhytm and Poetry | , , , | Sem comentários ainda

Shinedown recebe disco de ouro por “The Sound of Madness”

Pouco conhecido no Brasil, o Shinedown vem colecionando recordes no mercado musical americano. Mostrando seu rock alternativo bem feito e original, o quarteto da Flórida acabou de receber disco de ouro pelas 500 mil cópias vendidas de “The Sound of Madness”, terceiro álbum de estúdio da banda. E glórias não são novidade para o grupo: “Leave a Whisper”, de 2003,  e “Us and Them”, de 2005, conquistaram, respectivamente, disco de Platina e Ouro.

“The Sound of Madness” traz, sem qualquer dúvida, o Shinedown em sua melhor forma. O disco mistura músicas pesadas como “Devour”, “Cry For Help” e “I Own You”, e outras com linhas melodiosas, como “Second Chance”, “What a Shame” e “The Crow and the Butterfly”. 

As letras também comprovam a maturidade da banda, que, diferente do disco anterior, começou a abordar temas políticos e religiosos, ao mesmo tempo em que colocam suas vidas pessoais em questão. Brent Smith continua se mostrando um vocalista versátil, capaz de cantar com perfeição músicas pesadas e duetos com apenas um piano.

“The Sound of Madness” é um disco para ser ouvido do início ao fim, e em alto e bom som. Para conferir, fica o clipe de “Devour”, primeiro single do álbum.

Maio 28, 2009 Publicado por Leandro Lannes | Recomendados, Rocking | , , , , | Sem comentários ainda

Tinnitus Sanctus: Edguy em boa forma no novo disco

Demorei um tempo para conseguir escutar com a devida calma e atenção “Tinnitus Sanctus”, último disco do Edguy. Admito que de cara o álbum não me conquistou – talvez por uma inevitável comparação com”Theatre of Salvation” (1999) ou “Mandrake” (2001), que projetaram ao sucesso o grupo liderado pelo vocalista Tobias Sammet - mas aos poucos comecei a gostar das músicas do oitavo trabalho de estúdio do quinteto alemão.

“Tinnitus Sanctus” não é um disco excelente, mas traz o Edguy em boa forma, bastante semelhante a “Rocket Ride” (2006), onde a banda começou a apostar em melodias menos progressivas, e mais voltadas ao hard rock. Os fãs mais saudosistas vão preferir (excelentes) canções  como “Ministry of Saints”, “Dragon Fly”, “Thorn Without a Rose”, que se aproximam mais ao power metal do início da carreira do grupo. A influência do hard rock pode ser facilmente percebida nas faixas “Sex, Fire Religion”, “Nine Lives”, “9-2-9″ e “Dead or Rock”.

Em 2006, ainda repórter do Jornal O Dia, entrevistei o baixista Dirk Sauer. Uma das minhas primeiras perguntas foi sobre a mudança na sonoridade do grupo. O músico disse que a banda não pensou em mudar sua marca. Segundo Sauer, “as canções foram escritas de maneira espontânea, não pensamos em fazer diferente, simplesmente saiu”, e completou: “Escrevemos músicas para os que gostam de canções mais pesadas e os que preferem as mais melódicas”.

Seja seguindo a linha do power metal, seja caminhando para o hard rock, o Edguy continua sendo uma grande banda. “Tinnitus Sanctus”, mesmo não sendo o melhor trabalho do grupo, é um excelente trabalho do quinteto alemão.

Clipe de “Ministry of Saints”, melhor música de “Tinnitus Sanctus”.

Maio 18, 2009 Publicado por Leandro Lannes | 666, Recomendados | , , , | Sem comentários ainda