Alice in Chains: da escuridão para a esperança
O novo – e tão esperado – disco do Alice in Chains diz tudo logo no título. “Black Gives Way To Blue” é o fim da escuridão que começou com a morte do ex-vocalista Layne Staley, e de 14 anos sem material novo para os fãs. Com William DuVall nos vocais, o grupo traz um trabalho consistente, digno de um grupo que lançou grandes CDs como “Facelift”, “Dirt” e “Alice in Chains”.
“All Secrets Known” abre o disco em coerência com o nome do álbum, dizendo que é “…um novo começo, tempo de começar a viver”. “Check My Brain” traz um clássico riff de guitarra no melhor estilo grunge, assim como “Last of My Kind” e “Looking in a View”, primeiro single lançado.
“Your Decision” e “When The Sun Rose Again” fazem o contraponto com as faixas mais pesadas, trazendo linhas melódicas mais suaves em instrumentos acústicos. Muito bem produzidas, as músicas mostram a versatilidade de DuVall em cantar faixas menos agressivas. DuVall também faz um ótimo trabalho em “Lesson Learned” e “Take Her Out”.
Depois de algumas faixas com menos destaque, como “Private Hell” e “Acid Bubble”, o grupo fecha como um merecido tributo a Staley, com a música que dá nome ao álbum. Além de belo riff de guitarra de Jerry Cantrell, a letra presta uma bela homenagem a Staley, voz do grupo durante os anos 90. A lembrança mostra que, apesar da nova fase, a banda não se esqueceu de onde veio. Nem os fãs.
Vídeo de “Check My Brain”, uma das melhores de “Black Gives Way to Blue”, novo disco do Alice in Chains.
Pearl Jam no topo da Billboard com “Backspacer”
Fiquei surpreso ao ler que o Pearl Jam está de volta ao topo da Billboard após 13 anos. A surpresa não tem qualquer relação com as vendas de “Backspacer”, novo disco do quinteto de Seattle. O choque é entender como um dos maiores ícones do movimento grunge conseguiu ficar tanto tempo fora do seu lugar de origem, tendo lançado grandes discos em sua carreira.
“Backspacer” é um disco inspiradíssimo de Eddie Vedder e companhia, que alternam com perfeição músicas agressivas com baladas virtuosas, além de uma minuciosa escolha na ordem das canções. As letras – todas compostas por Vedder - mostram uma fase mais alegre e positiva do grupo, em comparação com as rimas políticas de “Binactural” e “Pearl Jam”. Em entrevistas recentes, Vedder afirmou que retirou o otimismo da eleição do presidente Barack Obama, e que sempre quis escrever palavras de esperança. Vale lembrar que, quando passou pelo Rio de Janeiro, o cantor disse que “na próxima vez em que voltasse, o mundo seria um lugar melhor porque George W. Bush não seria mais presidente”.
O disco começa com força total em canções que mostram as verdadeiras raízes grunge do grupo, como “Gonna See My Friend”, “Got Some” – faixa mais politizada, que pergunta: “Você já ouviu falar de uma solução diplomática?” – e “The Fixer”. Em “Johnny Guitar”, começa uma seleção de músicas mais pop, seguida por “Just Breathe”, “Amongst the Waves” – que carrega a mensagem de esperança do disco quando diz que “Eu posso sentir que tenho uma alma que foi salva” – e “Unthougth Unknown”.
Em “Supersonic”, Vedder fala sobre sua paixão pela música: “Eu preciso escutar isso, viver isso ao máximo”. “Speed of Sound” traz um personagem introspectivo, que reflete sobre os acontecimentos de sua vida e seus sentimentos. Já ”Force of Nature”, a melhor do disco, combina tudo o que de melhor há no Pearl Jam: uma letra inteligente (“é tão errado achar que o amor nos manterá a salvo?”), um vocal preciso de Vedder complementado por criativos riffs de guitarra e trocas de ambientação da música. “The End” fecha o disco brilhantemente, perguntando ao ouvinte onde estão os sonhos e como viver sem abandoná-los.
“Force of Nature”, melhor música de “Backspacer”, mais um grande disco do Pearl Jam.
Smashing Pumpkins está de volta. E o Overdriving também!
Depois de quase três meses de ausência, devido aos compromissos profissionais e acadêmicos, consigo finalmente reativar o blog hoje. Com a pós-graduação terminada, posso voltar a me dedicar a escrever sobre o que vejo de mais legal no mundo da música.
Aliás, não somente o blog está de volta. Billy Corgan e sua trupe (sempre meio indefinida devido aos constantes desentendimentos entre os membros) também anunciaram seu novo trabalho. “Teargarden by Kaleidyscope”, novo disco dos Smashing Pumpinks, começou a ser gravado nessa semana. O álbum terá 44 músicas, e será totalmente disponibilizado na internet para download gratuito.
Em seu blog, o vocalista afirmou que “cada música será absolutamente gratuita, para qualquer um em qualquer lugar (…) você não vai ter que se inscrever para qualquer coisa, dar o seu e-mail, ou saltar através de um aro. Você poderá pegar a música que quiser na hora que quiser”, disse.
Nunca dá para saber muito bem como será um trabalho do Smashing Pumpkins. A qualidade, originalidade e criatividade de Corgan, no entanto, estão sempre presentes, independente de seus companheiros de banda – hoje completada pelo baterista Mike Byrne.
Segundo o próprio vocalista, “Teargarden by Kaleidyscope” promete ser o mais psicodélico da discografia do grupo, que, aliás, não lança nada de novo desde 2000. Ou seja, fãs saudosos dos tempos de “Mellon Collie and the Infinite Sadness” e “Adore” – como eu – já estão ansiosos para escutar o que o grupo está preparando.
Enquanto isso, para matar a saudade, uma das minhas favoritas: “Disarm”, do excelente “Siamese Dream”, de 1993.
Incubus lança sua primeira coletânea
Com quase 15 anos de estrada, o Incubus lança, no próximo dia 15, “Monuments and Melodies”, CD duplo com os maiores sucessos de sua carreira. O novo álbum do quinteto californiano – ainda pouco conhecido por aqui – é dividido em dois momentos: o primeiro traz 13 singles “Make Yourself”, “Morning View”, “A Crow Left of the Murder…”, and “Light Grenades”, ao lado de duas inéditas: “Black Heart Inertia” and “Midnight Swim”. No segundo disco estão raridades, lados B de singles, versões alternativas, além de três músicas novas e uma cover de Prince, “Let’s Go Crazy”.
Para quem nunca ouviu, uma boa chance de conhecer músicas como “A Certain Shade of Green”, “Drive”, “Megalomaniac” e “Pardon Me”, entre as minhas favoritas. Para os fãs, um bom aperitivo enquanto o novo trabalho de inéditas de Brandon Boyd (voz), Mike Einziger (guitarra), Chris Kilmore (teclados e samples) Ben Kenney (baixo) e Jose Pasillas (bateria) ainda não sai.
Clipe de “Drive”, em versão acústica.
Shinedown recebe disco de ouro por “The Sound of Madness”
Pouco conhecido no Brasil, o Shinedown vem colecionando recordes no mercado musical americano. Mostrando seu rock alternativo bem feito e original, o quarteto da Flórida acabou de receber disco de ouro pelas 500 mil cópias vendidas de “The Sound of Madness”, terceiro álbum de estúdio da banda. E glórias não são novidade para o grupo: “Leave a Whisper”, de 2003, e “Us and Them”, de 2005, conquistaram, respectivamente, disco de Platina e Ouro.
“The Sound of Madness” traz, sem qualquer dúvida, o Shinedown em sua melhor forma. O disco mistura músicas pesadas como “Devour”, “Cry For Help” e “I Own You”, e outras com linhas melodiosas, como “Second Chance”, “What a Shame” e “The Crow and the Butterfly”.
As letras também comprovam a maturidade da banda, que, diferente do disco anterior, começou a abordar temas políticos e religiosos, ao mesmo tempo em que colocam suas vidas pessoais em questão. Brent Smith continua se mostrando um vocalista versátil, capaz de cantar com perfeição músicas pesadas e duetos com apenas um piano.
“The Sound of Madness” é um disco para ser ouvido do início ao fim, e em alto e bom som. Para conferir, fica o clipe de “Devour”, primeiro single do álbum.
Oasis: uma grande ex-banda em atividade
O Oasis acaba de passar pelo Brasil, e achei que finalmente era uma boa oportunidade de escrever a crítica sobre “Dig Out Your Soul”, novo disco do grupo. O quarteto inglês passou recentemente por Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, mostrando músicas novas e velhos clássicos dos discos que consagraram os rapazes de Manchester como uma das maiores lendas de todos os tempos.
De início, fiquei meio chateado por não poder ir ao show aqui no Rio de Janeiro, mas depois de ouvir “Dig Out Your Soul” diversas vezes, me convenci de que tudo que perdi foi ouvir uma ou outra música dos tempos áureos de Liam, Noel & Cia. Talento todos eles têm de sobra, mas o novo disco é, sem dúvida, o pior da carreira do grupo.
Fã da época de Definitely Maybe e (What’s The Story) Morning Glory, não consigo me conformar que o grupo fez um trabalho com apenas duas músicas boas. Somente escapam da mesmice “The Shock of Ligthning” – primeiro single – “I’m Outta Time”. De resto, o ouvinte não perde absolutamente nada. O disco nada mais é do que uma reprise mal feita de tudo que eles já fizeram com absoluta qualidade, que os levou ao olimpo dos deuses do rock.
Pior ainda é a sensação de que o grupo caminha em uma trajetória decrescente. “Standing in the Shoulder of Giants”, de 2000, é péssimo. “Heathen Chemistry”, de 2002, é um bom disco, mas que não pode ser comparado ao três primeiros – acrescenta-se aos dois primeiros citados anteriormente “Be Here Now”, de 1997. “Don’t Believe the Truth” era quase insuperável como o pior momento do Oasis, mas “Dig Out Your Soul” é incomparável. Impressionante a falta de inspiração de quase tudo: desde as letras, passando pelas melodias e terminando na pouca empolgação aparente dos próprios músicos na interpretação das canções.
Para quem se achava melhor que os Beatles, o Oasis deveria ouvir um pouco mais sobre a maior banda de todos os tempos para entender as razões pelas quais eles são lembrados até hoje. Depois de “Dig Out Your Soul”, o Oasis está parecendo uma grande ex-banda em atividade.
Clipe de “De Shock of Lightning”, uma das poucas coisas que valem a pena serem conferidas no novo disco do Oasis.
Quinze anos sem Kurt Cobain
O texto vem com um pequeno atraso, mas não podia deixar de homenagear, em um blog sobre música, o aniversário de morte de Kurt Cobain. No último domingo completaram-se 15 anos da morte de um dos maiores gênios do rock de todos os tempos. Aliás, Cobain foi um gênio e ponto final.
Os primeiros argumentos para os que não são fãs do ex-vocalista do Nirvana é dizer que ele era um drogado e que todas as músicas do trio de Seattle tinham três acordes e só. Sim, Cobain passou boa parte da vida lutando contra as drogas, mas que não venham os fãs de Pink Floyd, Rolling Stones, Metallica e Sex Pistols (até porque eu mesmo adoro todos os grupos citados) eram bandas politicamente corretas e que nunca usaram drogas. Cobain tinha um problema, e citando uma das bandas mais originais do rock brasileiro, os “Raimundos”, “se todo excesso fosse visto como fraqueza, e não como insulto, já me tirava do sufoco”.
O segundo argumento, que questiona a habilidade e virtuosismo dos músicos do Nirvana, também não tem qualquer relevância. Sinceramente, não sei quem inventou que música boa é música difícil de tocar. Uma canção tem que ser divertida, mexer com a pessoa e passar uma mensagem. Se isso vai ser feito explorando 350 escalas ou uma não faz diferença alguma.
Kurt Cobain deixou saudades. Nirvana foi uma das bandas mais importantes dos anos 90, responsável por um dos maiores discos do rock, – “Nevermind” – deixou milhões de seguidores e influenciou uma geração inteira de adolescentes e aspirantes a músicos. Trouxe com ele grandes conjuntos como “Pearl Jam”, “Soundgarden” e “Alice in Chains”, e difundiu o movimento grunge por todo o mundo. Não a toa o cara tem na placa que indica a entrada de sua cidade natal, Aberdeen, o nome de um dos seus maiores sucessos, “Come as You Are”.
O Nirvana atingiu um patamar que poucos na histórica do rock alcançaram. Músicas como “Smells Like Teen Spirit”, “Come as You Are”, “Heart Shapped Box”, “Dumb”, “About a Girl”, entre outras, são reconhecidas rapidamente, bastam tês notas para identificá-las. Infelizmente, o grupo só teve tempo de gravar três discos – além de um brilhante acústico para a MTV, que incluiu as covers “The Man Who Sold The World” e “Jesus Don’t Want Me For a Sunbeam”. Quinze anos depois, os fãs continuam cantando suas músicas, lembrando sua história e pensando em como seria se Cobain ainda estivesse vivo. Essa é a história de um verdadeiro ídolo.
Para ajudar a matar a saudade: “The Man Who Sold The World”, na voz de Cobain.
-
Recentes
- “The Circle”: O mais do mesmo de Bon Jovi
- Alice in Chains: da escuridão para a esperança
- Pearl Jam no topo da Billboard com “Backspacer”
- Trivium recusa convite para tocar no Ozzfest
- Smashing Pumpkins está de volta. E o Overdriving também!
- Green Day decepciona com “21th Century Breakdown”
- Incubus lança sua primeira coletânea
- “Black Clouds and Silver Linings”: uma obra-prima do Dream Theater
- Novo disco de Eminem lidera as paradas americanas
- Shinedown recebe disco de ouro por “The Sound of Madness”
- Tinnitus Sanctus: Edguy em boa forma no novo disco
- Dream Theater lança primeiro single do novo álbum
-
Links